Zona Histórica Carnide
Ficha Técnica:
Cadeira: Reabilitação de Edificios e Sitios
Docente: Prof. Dr. Arq.º Vasco Pinheiro
Grupo de Trabalho: Ana Caxaria, André Dias, Bruno Rosa, Carlos Saraiva, Filipa Caio, Giada Geovenali, Joana Capote, Júlia Neto, Mário Oliveira, Pedro Palheta, Raquel Nascimento, Sandra Forno, Sara Cerdeira, Sofia Carvalho, Suse Acto.
CARNIDE
CONCELHO: Lisboa | ÁREA: 4,02 km² | POPULAÇÃO: 21 097 habitantes (censos de 2001) | DENSIDADE: 5 251,9 hab/km² | LOCALIZAÇÃO: 38° 45' N 9º 11' O
Localizada no extremo norte do concelho de Lisboa, Carnide é uma das maiores freguesias da cidade, em extensão e em população. Confinada a Norte e Noroeste pelos limites tradicionais do próprio concelho e a Sul pela Av. General Norton de Matos (Segunda Circular), os limites orientais e ocidentais que a separam das freguesias vizinhas do Lumiar e de S. Domingos de Benfica são um tanto arbitrários.
APONTAMENTO HISTÓRICO
No séc. I, existiam, no território que hoje forma a freguesia de Carnide, várias explorações agrícolas que garantiam o abastecimento das povoações aí existentes. No séc. IV começou-se a registar o primeiro aumento de população, isto devido à construção de uma nova igreja e de um hospital (Hospital da Luz, actualmente Colégio Militar). A fama de ter bons ares, levou a que se fixassem em Carnide alguns nobres, que dinamizaram a economia local. Essa tendência prolongou-se até ao séc. XVI, altura em que Carnide se tornou aldeia, localizada entre a Igreja da Luz e a Igreja de São Lourenço. A freguesia, no séc. XVIII, era constituída fundamentalmente por dois núcleos construídos, Carnide e Luz.
A Luz era, no séc. XVIII, um importante pólo de atracção na freguesia de Carnide. Aí, realizavam-se feiras e romarias que traziam ao local muitos visitantes durante os meses de Verão. As procissões e romarias da Nossa Senhora da Luz eram grandes acontecimentos, nos quais até a nobreza participava.
Apesar de ser uma das mais antigas freguesias de Lisboa, só foi integrada no perímetro urbano em 1885. Durante o período de 1840 e 1885, procederam-se a obras de urbanização no Largo da Luz, e de melhoramento das vias pública da freguesia.
No final do séc. XIX, a construção de duas fábricas de cerâmica nos arredores das povoações, e ainda a instalação de unidades fabris em freguesias vizinhas, dinamizaram a economia e fomentaram a fixação de operários em Carnide. Onde nessa época estava a Quinta dos Inglesinhos, uma comunidade de frades católicos irlandeses, ergue-se desde 1983 a Escola Secundária de Carnide.
No séc. XX, os hábitos agrícolas aliados ao êxodo rural deixaram ao abandono muitas quintas. Decorre desse facto o início da urbanização intensa na zona. Carnide sempre fora uma freguesia onde a aristocracia estava misturada como as camadas sociais mais desfavorecidas, porém, a crescente urbanização fez com que os mais abastados se movessem para outros locais. Actualmente Carnide tem zonas mais antigas e zonas mais modernas. Existem na freguesia dois bairros sociais, o Bairro Padre Cruz e o Bairro da Horta Nova.
PATRIMÓNIO e URBANIDADE
Marcada por sucessivas sedimentações históricas e culturais, a freguesia de Carnide tem um perfil próprio identificado no seu património e nas vivências sociais.
A malha urbana - mas também a rural - da freguesia de Carnide é bastante dispersa, com diversos aglomerados de distinta qualidade de edificação e de diferenciada concentração habitacional, mas relativamente distanciados entre si.
O modo e a época de formação originaram modelos diferenciados. Na contemporaneidade, o centro agregador e referenciador continua associado aos dois núcleos históricos mais sedimentados que, apesar de apresentarem configurações especiais relativamente diferenciadas, são componentes de um mesmo conjunto histórico - Carnide-Luz.
O núcleo de Carnide constitui um caso exemplar de estrutura espacial ordenada em função da antiga Rua Direita (actual Rua Neves Costa) que se fez coincidir com a Estrada da Pontinha. Mas, curiosamente, a Rua Direita não é, aqui, o eixo geometricamente central, embora seja o espaço de circulação e de relação com o exterior. O conjunto construído desenvolve-se a norte desta rua (que também foi, desde sempre, uma estrada inter-concelhia) com base num traçado ordenado e regularizado de ruas paralelas cortadas por pequenas travessas, numa ortogonalidade empírica, mas quase perfeita. Assim se consegue a privacidade e o isolamento do núcleo habitacional. Este modelo é comum em muitos dos aglomerados portugueses construídos nos séculos XVI e XVII.
Ao longo das ruas principais (Rua do Norte, Rua da Mestra, Rua das Parreiras, Rua do Pregoeiro) erguem-se habitações simples. As fachadas, de um ou dois pisos, alinhadas sequencialmente, foram uma unidade urbanística e visual, apesar da diversidade da composição e dos elementos decorativos, onde surgem, muitas vezes, pequenos registos de azulejos sobre as portas e janelas com figuras de santos ou simples padrões decorativos. A escala do conjunto mantém-se hoje inalterável e só a envolvente tem vindo a mudar.
No alto do Poço, aproveitando a própria configuração topográfica, a Rua Direita alarga-se para dar lugar a um espaço irregular alongado, espécie de terreno marginal ou lateral, onde inicialmente se realizou um pequeno mercado de produtos hortícolas, e mais tarde, se construiu o coreto, dando-lhe uma fisionomia mais urbana. É este o espaço público mais importante do núcleo histórico e tradicional de Carnide. No princípio deste século, aqui se construiu o edifício do Carnide Clube (1920), o referido coreto e alguns edifícios com fachadas mais eruditas. Mas, de um geral, existe um ambiente intimista em Carnide. É no interior das habitações, nas fachadas posteriores e nos respectivos jardins ou mesmo nas simples hortas ou quintais que se revela o requinte da decoração e da ornamentação que as severas fachadas e altos muros nos escondem.
A sul da velha Rua Direita, encaixado entre a Estrada da Pontinha e a Estrada da Correia, formou-se um pequeno núcleo também ordenado em função de uma rua interior (Rua do Machado). O aglomerado de maior dimensão e mais ruas, a norte da via principal, e o pequeno núcleo, definido essencialmente por uma só rua e respectiva envolvência, fazem parte do mesmo conjunto da antiga aldeia de Carnide e foram organizados de forma relacionada. Pode considerar-se uma sábia aplicação do modelo ordenado com base numa ortogonalidade mínima, aplicado a uma situação de pré-existências orgânicas - os caminhos concelhios, rurais e vicinais.
É nas proximidades, ao longo das estradas da Pontinha e da Correia e das azinhagas interiores, que se abrem algumas velhas e aristocratas quintas dos séculos XVII e XVIII, ou o que delas resta.
A Luz pode ser considerada uma unidade com história própria e modo de organização e estrutura espacial distintos de Carnide, embora faça parte do mesmo conjunto patrimonial. Os elementos que contribuem para a imagem e valor patrimonial são também outros, mais dispersos, mas também mais monumentais. Geograficamente, esta unidade configura-se entre o largo da Luz e ao longo da Rua da Fonte e é formada por elementos singulares unificados pelos grandes espaços públicos e pala via de circulação.
Para além do conjunto Carnide-Luz, o património edificado encontra-se disperso pelo que resta das antigas quintas, ao longo de azinhagas e caminhos. Muitos destes edifícios, com o seu recheio artístico e os equipamentos agrícolas, já desapareceram ou encontram-se ameaçados pelo processo de urbanização recente. As tradicionais ambiências têm-se perdido, porque a envolvente tem sido sistematicamente alterada. Em muitos casos, só a toponímia antiga prevalece, perpetuando e evocando memórias históricas.
Tradicionalmente rural, foi envolvida, nos últimos anos, no próprio processo de crescimento urbano da capital, de uma forma acelerada e nem sempre uniforme e correctamente programada. É, por isso, uma freguesia de contrastes - entre o velho e o novo, o antigo e o moderno, o urbano e o rural.
LOCAIS DE REFERÊNCIA
· Núcleo histórico do Colégio Militar ou antigo Hospital da Luz ou Palácio dos Condes de Mesquitela | Convento de Santa Teresa de Jesus de Carnide | Zona antiga de Carnide | Quinta do Bom Nome ou Quinta do Sarmento ou Quinta das Mercês | Igreja de Nossa Senhora da Luz (Carnide) | Igreja de São Lourenço de Carnide
Cadeira: Reabilitação de Edificios e Sitios
Docente: Prof. Dr. Arq.º Vasco Pinheiro
Grupo de Trabalho: Ana Caxaria, André Dias, Bruno Rosa, Carlos Saraiva, Filipa Caio, Giada Geovenali, Joana Capote, Júlia Neto, Mário Oliveira, Pedro Palheta, Raquel Nascimento, Sandra Forno, Sara Cerdeira, Sofia Carvalho, Suse Acto.
CARNIDE
CONCELHO: Lisboa | ÁREA: 4,02 km² | POPULAÇÃO: 21 097 habitantes (censos de 2001) | DENSIDADE: 5 251,9 hab/km² | LOCALIZAÇÃO: 38° 45' N 9º 11' O
Localizada no extremo norte do concelho de Lisboa, Carnide é uma das maiores freguesias da cidade, em extensão e em população. Confinada a Norte e Noroeste pelos limites tradicionais do próprio concelho e a Sul pela Av. General Norton de Matos (Segunda Circular), os limites orientais e ocidentais que a separam das freguesias vizinhas do Lumiar e de S. Domingos de Benfica são um tanto arbitrários.
APONTAMENTO HISTÓRICO
No séc. I, existiam, no território que hoje forma a freguesia de Carnide, várias explorações agrícolas que garantiam o abastecimento das povoações aí existentes. No séc. IV começou-se a registar o primeiro aumento de população, isto devido à construção de uma nova igreja e de um hospital (Hospital da Luz, actualmente Colégio Militar). A fama de ter bons ares, levou a que se fixassem em Carnide alguns nobres, que dinamizaram a economia local. Essa tendência prolongou-se até ao séc. XVI, altura em que Carnide se tornou aldeia, localizada entre a Igreja da Luz e a Igreja de São Lourenço. A freguesia, no séc. XVIII, era constituída fundamentalmente por dois núcleos construídos, Carnide e Luz.
A Luz era, no séc. XVIII, um importante pólo de atracção na freguesia de Carnide. Aí, realizavam-se feiras e romarias que traziam ao local muitos visitantes durante os meses de Verão. As procissões e romarias da Nossa Senhora da Luz eram grandes acontecimentos, nos quais até a nobreza participava.
Apesar de ser uma das mais antigas freguesias de Lisboa, só foi integrada no perímetro urbano em 1885. Durante o período de 1840 e 1885, procederam-se a obras de urbanização no Largo da Luz, e de melhoramento das vias pública da freguesia.
No final do séc. XIX, a construção de duas fábricas de cerâmica nos arredores das povoações, e ainda a instalação de unidades fabris em freguesias vizinhas, dinamizaram a economia e fomentaram a fixação de operários em Carnide. Onde nessa época estava a Quinta dos Inglesinhos, uma comunidade de frades católicos irlandeses, ergue-se desde 1983 a Escola Secundária de Carnide.
No séc. XX, os hábitos agrícolas aliados ao êxodo rural deixaram ao abandono muitas quintas. Decorre desse facto o início da urbanização intensa na zona. Carnide sempre fora uma freguesia onde a aristocracia estava misturada como as camadas sociais mais desfavorecidas, porém, a crescente urbanização fez com que os mais abastados se movessem para outros locais. Actualmente Carnide tem zonas mais antigas e zonas mais modernas. Existem na freguesia dois bairros sociais, o Bairro Padre Cruz e o Bairro da Horta Nova.
PATRIMÓNIO e URBANIDADE
Marcada por sucessivas sedimentações históricas e culturais, a freguesia de Carnide tem um perfil próprio identificado no seu património e nas vivências sociais.
A malha urbana - mas também a rural - da freguesia de Carnide é bastante dispersa, com diversos aglomerados de distinta qualidade de edificação e de diferenciada concentração habitacional, mas relativamente distanciados entre si.
O modo e a época de formação originaram modelos diferenciados. Na contemporaneidade, o centro agregador e referenciador continua associado aos dois núcleos históricos mais sedimentados que, apesar de apresentarem configurações especiais relativamente diferenciadas, são componentes de um mesmo conjunto histórico - Carnide-Luz.
O núcleo de Carnide constitui um caso exemplar de estrutura espacial ordenada em função da antiga Rua Direita (actual Rua Neves Costa) que se fez coincidir com a Estrada da Pontinha. Mas, curiosamente, a Rua Direita não é, aqui, o eixo geometricamente central, embora seja o espaço de circulação e de relação com o exterior. O conjunto construído desenvolve-se a norte desta rua (que também foi, desde sempre, uma estrada inter-concelhia) com base num traçado ordenado e regularizado de ruas paralelas cortadas por pequenas travessas, numa ortogonalidade empírica, mas quase perfeita. Assim se consegue a privacidade e o isolamento do núcleo habitacional. Este modelo é comum em muitos dos aglomerados portugueses construídos nos séculos XVI e XVII.
Ao longo das ruas principais (Rua do Norte, Rua da Mestra, Rua das Parreiras, Rua do Pregoeiro) erguem-se habitações simples. As fachadas, de um ou dois pisos, alinhadas sequencialmente, foram uma unidade urbanística e visual, apesar da diversidade da composição e dos elementos decorativos, onde surgem, muitas vezes, pequenos registos de azulejos sobre as portas e janelas com figuras de santos ou simples padrões decorativos. A escala do conjunto mantém-se hoje inalterável e só a envolvente tem vindo a mudar.
No alto do Poço, aproveitando a própria configuração topográfica, a Rua Direita alarga-se para dar lugar a um espaço irregular alongado, espécie de terreno marginal ou lateral, onde inicialmente se realizou um pequeno mercado de produtos hortícolas, e mais tarde, se construiu o coreto, dando-lhe uma fisionomia mais urbana. É este o espaço público mais importante do núcleo histórico e tradicional de Carnide. No princípio deste século, aqui se construiu o edifício do Carnide Clube (1920), o referido coreto e alguns edifícios com fachadas mais eruditas. Mas, de um geral, existe um ambiente intimista em Carnide. É no interior das habitações, nas fachadas posteriores e nos respectivos jardins ou mesmo nas simples hortas ou quintais que se revela o requinte da decoração e da ornamentação que as severas fachadas e altos muros nos escondem.
A sul da velha Rua Direita, encaixado entre a Estrada da Pontinha e a Estrada da Correia, formou-se um pequeno núcleo também ordenado em função de uma rua interior (Rua do Machado). O aglomerado de maior dimensão e mais ruas, a norte da via principal, e o pequeno núcleo, definido essencialmente por uma só rua e respectiva envolvência, fazem parte do mesmo conjunto da antiga aldeia de Carnide e foram organizados de forma relacionada. Pode considerar-se uma sábia aplicação do modelo ordenado com base numa ortogonalidade mínima, aplicado a uma situação de pré-existências orgânicas - os caminhos concelhios, rurais e vicinais.
É nas proximidades, ao longo das estradas da Pontinha e da Correia e das azinhagas interiores, que se abrem algumas velhas e aristocratas quintas dos séculos XVII e XVIII, ou o que delas resta.
A Luz pode ser considerada uma unidade com história própria e modo de organização e estrutura espacial distintos de Carnide, embora faça parte do mesmo conjunto patrimonial. Os elementos que contribuem para a imagem e valor patrimonial são também outros, mais dispersos, mas também mais monumentais. Geograficamente, esta unidade configura-se entre o largo da Luz e ao longo da Rua da Fonte e é formada por elementos singulares unificados pelos grandes espaços públicos e pala via de circulação.
Para além do conjunto Carnide-Luz, o património edificado encontra-se disperso pelo que resta das antigas quintas, ao longo de azinhagas e caminhos. Muitos destes edifícios, com o seu recheio artístico e os equipamentos agrícolas, já desapareceram ou encontram-se ameaçados pelo processo de urbanização recente. As tradicionais ambiências têm-se perdido, porque a envolvente tem sido sistematicamente alterada. Em muitos casos, só a toponímia antiga prevalece, perpetuando e evocando memórias históricas.
Tradicionalmente rural, foi envolvida, nos últimos anos, no próprio processo de crescimento urbano da capital, de uma forma acelerada e nem sempre uniforme e correctamente programada. É, por isso, uma freguesia de contrastes - entre o velho e o novo, o antigo e o moderno, o urbano e o rural.
LOCAIS DE REFERÊNCIA
· Núcleo histórico do Colégio Militar ou antigo Hospital da Luz ou Palácio dos Condes de Mesquitela | Convento de Santa Teresa de Jesus de Carnide | Zona antiga de Carnide | Quinta do Bom Nome ou Quinta do Sarmento ou Quinta das Mercês | Igreja de Nossa Senhora da Luz (Carnide) | Igreja de São Lourenço de Carnide


